Fiz-me girassol pra tu me notar, mas é uma pena que girassóis não amem. Depois, fiz-me flor pra tu me cheirar, mas despetalei. A vida nunca condiz com a situação. Se houve um nó, eu desatei; se tocou dó, continuei. Mas você não me notou, mas paixão tem essas coisas não-correspondidas. Os meus sorrisos nunca chegavam a ti, meus beijos eram solitários e meus olhos, vazios. Fui me entregando a desistência...
Anos se passaram, a vida continuou, mas a paixão arrebatadora ainda me tomava o peito. Deveria ser de infância, mas teimava em não cessar. Passaram-se mais anos, e enfim, olhos se cruzaram, sorrisos amarelos correspondidos, oi trocados e já parecia que nos conhecíamos de outra vida; uma sensação de estômagos revirados - ah, malditas borboletas!; um vazio que deveria ser preenchido por você. E eu não sei como, mas depois de anos ainda me fazia muito bem.
Encontros casuais me ligavam a você. Seu sorriso ainda me fazia enlouquecer - e isso não tem explicação. As coisas já não mais faziam sentido, e nem haveriam de fazer. Você me dava a sua casa, mas eu queria a sua vida. Eu queria mais. Eu estava ficando louca, escutava Joplin e me lembrava de você, todos os rostos na rua eram iguais ao seu.
Então escrevi pra você "é a sua casa, mas deveria ser nosso lar", colei na geladeira. E desejei que toda loucura feita por amor fosse perdoada. Então, esperei sua resposta, e nada. Passou-se horas, passou-se dias e eu na espera. Até que o dia chegou. Abri a porta e ele lá estava com um buquê de rosas vermelhas, e com bastante inquietação murmurou algo, depois sussurrou no meu ouvido "senti sua falta". Olhou nos meus olhos e eu sabia mais do que ele imaginava, eu lia seus pensamentos com o coração. Eu disse que o amava e então ele sorriu. Foi como na primeira vez.
Ainda bem que escutei minha mãe quando ela disse que o amor valia a pena no final, porque vale. E muito. Apesar dos apesares.
E com aquele sorriso eu senti que seríamos felizes até depois do sempre.
Nenhum comentário:
Postar um comentário