domingo, 25 de setembro de 2011

Pretéritos.

Deixei tudo pra trás, porque pareceu conveniente seguir em frente. Mas em frente era longe e inconveniente demais. Tão inconveniente como nós dois foi. Mas era passado, ficou pra trás, ficou em mim, nunca saiu, desgrudou, ou essas coisas. Foi difícil fingir que era fácil, mas era fácil fazer virar difícil. Bate a saudade, e em pretérito te digo: Te amei demais. Mas quer saber? Não amo mais, insisto em cortar relações e em dizer que nada é para sempre, acreditava nesses clichês, já nem acredito mais. Se torna massacrante quando não é contigo, nos culpamos pela não-perfeição. Mas venhamos e convenhamos a-vida-não-é-feliz-para-sempre.
Voltou a me atentar esse tal passado, que de passado não tem nada. O que passou, ficou, insiste em ser presente, e de se estender até o futuro. Procuro entender o quão difícil pode ser mudar, e deixar pra trás, e fingir não ter memória, e essas coisas que teimamos em fazer todos os dias. Como se adiantasse esquecer, página ruim não reescreve, rasga. Afinal, passado é passado, se não ficar pra trás, não é.

sábado, 17 de setembro de 2011

About me, maybe.

Como sempre digo "talvez algum dia ainda haverá descrições para incógnitas". Talvez não tenha melhor definição para mim que esta. Muitas vezes fica a me perguntar quem sou. "Quem sou", complexo demais para todos, até para os mais renomados poetas, imagine para mim. Sou uma hipérbole de sentimentos, hora sinto demais, hora de menos. Ando bem procrastinante, afinal, ainda tenho uma vida inteira para fazer tudo. Ou não. Sou apenas uma menina em seu infinito particular, esperando seu príncipe, como em uma perfeita epifania. Lembro-me de tudo, chega a ser embaraçoso vezenquando o meu modo de lembrar e trazer a tona acontecimentos esquecidos por todos - exceto eu mesma. Sinto-me tão esperançosa, talvez seja bom, mas é nostálgico a maioria do tempo. "Mas por que nostálgico?" Ah, sinto esperanças do que deveria ter sido, mas não foi. Do que deveria ser meu, mas não. A saudade bate forte "vez em sempre". Como já disse Oswaldo Montenegro: "Metade de mim é amor, e a outra metade também". Andei cá pensando dia desses e sou mesmo desse jeito. Ainda tenho tempo suficiente para tudo, com um pouco de sorte, talvez siga em frente. Estou juntando minhas partezinhas, pecinha por pecinha, talvez um dia encontre-me em uma canto qualquer e agracie-me com meu inteiro. Talvez dia desses consiga me expressar melhor e ter um vocabulário culto, é de que preciso realmente. Talvez dia desses encontre-me inteligível, enquanto isso tento compreender os outros, porque a mim seria certamente impossível. E preciso, definitivamente, parar de falar talvez. Já não é tudo incerto demais? Ora, por que estou a me descrever? Chega a ser patético o modo que tento e nunca consigo, não sei descrever-me, porque afinal mudei demais, e não se explica as repentinas mudanças da vida. Realmente não sei descrever-me, tenho que realçar várias vezes isso. Talvez algum dia tente novamente e consiga. Por que, o que custa tentar?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ando a tua espera, cara metade.

Ando fechada com oito cadeados e sete chaves. Quem diria, sou mesmo um segredo, daqueles jamais revelados, sabe? Nunca esperei me encontrar mesmo, nunca achei que fosse realmente fácil. E não sou só isso, e não sou só eu. Entremos em um consenso: todos somos aquelas pecinhas, daquelas esperando ser encaixadas em outra. Mas, espere, não somos um quebra-cabeça de duzentas peças, somos milhões, meu bem, milhões! Espero que esse milhões tenha tido bastante ênfase. Onde estará minha última chave? Onde estará minha cara metade? Do outro lado do mundo talvez, e é extenso demais pr'eu procurar. Então continuo fechadinha, não procuro, já me decepcionei demais, já não alimento amor, já não sofro mais, estou só aqui. Não admito mais perturbação, ah amor, deixe de me aporrinhar, deixe estar, deixe-me bem, não queres ficar que eu sei. Sei também que minha cara metade não é você. Deixa eu te dizer, ainda tem gente que me pergunta se sou inteira. Sim, em partes. Ainda me falta um pedacinho chamado você. Você aí que eu hei de encontrar e que eu hei de nunca perder. Porque como cantou Rô Rô: "eu sei que vou te amar". Estou me sentindo um tanto curiosa (demais!), falo de meu bem querer como se o conhecesse, e meu eu diz que o conheço, mas ele não existe, não é? Acho que ando escutando Bossa demais e as letras andam me invadindo. Ando viajando em pensamento e esperando quase nada. Sempre foi assim, não esperei nada demais de mim. Estou imobilizada em sonhos e confusa em letras. É estranho, com certeza, para todos. Pareço mais normal que nunca, só pareço ter sido invadida por uma parte de Lygia. Ahh, Lygia... Ajude-me nesta minha procura. Sei que aprendi demais, sei que li demais, mas agora de nada adianta. Cresci em pensamento - mas ainda penso em ti -, então não é crescer, é regredir. Tenho o dobro de minha verdadeira idade e ajo como uma criança. Ando matutando um pouco mais e está bem mais claro que ainda hei de encontrar a ti, carnalmente pouco importa, te encontro em pensamento e ensino-te a não roubar-me. Ando meio desfigurada sem ti, cara metade, ando lhe esperando para completar-me. Te quero agora, te espero sempre.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Seguimos juntos?

- És estranha.
- Não sou.
- É sim!
- Sou quase isso.
- Que és?
- Muito estranha.
- Porque és?
- Porque quero.
- Que graça há em ser estranha?
- Que graça há em ser normal?
- Não sei... Sou igual a todo mundo.
- É isto que me incomoda.
- Por quê?
- Não sei, talvez sejamos só mais uma alma, me sentiria pequena sendo igual a todos.
- Não me sinto assim, todos somos só mais um no mundo.
- Não, você é só mais um.
- E o que és?
- Sou meu mundo.
- Não seja tão egoísta.
- Não sou egoísta, só não aceito ser só mais uma peça nesse quebra-cabeça infinito.
- Mas o mundo não é infinito.
- A burrice sim.
- Estás me chamando de burro?
- Não, só estou a dizer que tens a cabeça pequena.
- Que queres dizer com isso?
- Que não aceitas outra opinião que não seja de tua crença.
- E que isto tem a ver com cabeça pequena?
- É sentido figurado, criatura, viu como estamos entrando em uma discussão por bobagem?
- Você também está.
- Tenho argumentos.
- E eu não?
- Estás na base do "mas" e "por que".
- Não estou.
- Está sim.
- Tu se sente tão culta, não é?
- Não, não sou de regras.
- Nem as de português?
- Nem as da vida.
- E como vives?
- Simplesmente vivo, apenas vivo.
- Sem regras?
- Gosto de dizer que sem complicações.
- Parece-me mais estranha agora.
- Porém feliz.
- Não parece.
- Como já dizia Guimarães Rosa: "Infelicidade é questão de prefixo".
- E como estás?
- In felicidade.
- És feliz sendo estranha?
- Sou feliz sendo eu.
- Posso te fazer uma pergunta?
- Faça.
- Quem és?
- Sei-o bem, mas não hei de explicar, a única verdade é que vivo.
- Ah...
- Lembro-me um pouco de Clarice quando falo isso.
- Que Clarice?
- Lispector.
- Quem é?
- Escritora.
- Ela é um pouco melancólica, não é?
- Talvez, por quê?
- Parece contigo, um tanto sozinha também, sabe?
- Ouvi dizer que também nos sentimos sozinho junto as outras pessoas.
- Sei.
- De verdade, conheço gente que tem tudo e é vazio.
- Tipo quem?
- Você.
- E como sabes?
- Quando a tristeza é muito transparece.
- É que às vezes é um pouco difícil seguir em frente.
- Eu sei.
(Silêncio)
- Seguimos juntos?
(Silêncio)
- Sempre...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Sobre abraços e sonhos.


Nos entrelaçamos em um pequeno gesto, e a complicação que antes permanecia já nem existe mais. Como um passe de mágica toda aquela cobrança que tinha quanto a mim mesma - e a tudo - sumiu. E só você me faz sentir assim, és único. Ah... quanta ternura que sinto por ti. Entrelaçava-me cada vez mais em teus braços, o meu corpo não queria soltar-te de jeito algum. E lá estávamos nós, em um abraço, um amasso, um caso, ou em quaisquer que fosse o ponto de vista.
- Me abraça? - pedia quase como se estivesse implorando.
- É deplorável ver como precisas de mim.
- Mas sabes que preciso, não sabe?
- Já te disse que é deplorável - disse-lhe em tom de desprezo
- Diga-me que estás brincando! - uma lágrima formou-se em seu delicado rosto
- E estou mesmo, meu bem - respondeu-lhe com aquele sorriso malicioso.
Encararam-se por alguns minutos, entre abraços e risos.
- Te amo.
(silêncio)
- Não encare-me, querido, só digo-lhe a verdade.
- Que queres? - disse-lhe um tanto confuso
- Reciprocidade.
- É recí...
E como sempre, acordou-se na melhor parte do sonho, abraçou a si mesma e seguiu em frente sabendo o quão bom é sonhar e sabendo que realidade é aquilo que nós queremos que seja.